As Raposinhas

“Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor” (Cântico dos Cânticos 2.15)

O versículo acima foi escrito por aquele que, na minha opinião, é um dos personagens mais emblemáticos da bíblia.

O Rei Salomão, filho de Davi tem em sua biografia uma história tão fascinante quanto triste. Casado com 700 mulheres, Salomão sabia bem o que era o amor. Ou não.

E no livro dos Cânticos, livro que trata do relacionamento entre esposo e esposa, encontramos este versículo onde a esposa demonstra sua preocupação com a possibilidade de as raposinhas destruírem os vinhedos que já estão floridos, prontos para começar a dar os seus frutos.

Embora o contexto em questão seja o de um casamento, penso que tal situação pode ser estendida para qualquer época da vida.

A primavera da vida está à nossa porta. Os vinhedos de nossas vidas estão prontos a darem seus frutos. E as raposas? E as raposinhas? Estes animais que parecem até bichinhos inofensivos estão por aí à solta esperando uma oportunidade de virem e destruírem o nosso vinhedo. O apelo no início da fala é para que se apanhem as raposinhas para que não venham a destruir os vinhedos antes que estes dêem frutos.

Em cima desta meditação, penso que as raposinhas da nossa vida são todas aquelas coisas, atividades ou situações que nos impedem de estarmos na casa de Deus, com o povo de Deus e servindo a Deus. Mesmo que sejam situações que à primeira vista pareçam “bichinhos inofensivos” como as raposinhas. A lista é bastante vasta. Pode ser um trabalho que exija mais do que deveria, um namoro que afasta a pessoa das atividades da igreja, uma vida social com uma agenda cheia de compromissos que sempre irão nos impedir nos envolvermos mais com as coisas de Deus, só pra citar algumas delas. Raposinhas, bichinhos inofensivos, mas que podem fazer um estrago tremendo se não forem apanhados antes disso. Depois do estrago feito pelas raposinhas, é tempo de limpar o vinhedo, preparar a terra, plantar novas vinhas, aguardar o tempo dos frutos novamente. E nesta, a primavera da vida já pode ter passado.

Gostaria de terminar esta meditação citando outro versículo do mesmo Salomão que encontra-se no livro de Eclesiastes 3.1:

“Tudo tem o seu tempo determinado. E há tempo para todo o propósito debaixo do céu”

Certa vez aprendi na escola dominical que a vida do cristão deve ser regrada e equilibrada. E talvez a busca por este equilíbrio seja o grande desafio de nossas vidas. Lembre-se que nenhum extremo ou radicalismo é positivo, e que HÁ TEMPO PARA TODO PROPÓSITO DEBAIXO DOS CÉUS.

 

 Gustavo Gaiotto (Coordenador da UMPI)